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Comissões de intermediários de energia: o que deve saber
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Comissões de intermediários de energia: o que deve saber

Publicado em 9 de outubro de 2025 · Por Cristian Tanase

Em resumo: alguns intermediários de energia somam à tarifa uma comissão que o cliente nem sempre vê. Compare não só os fornecedores, mas também os intermediários.

O problema das comissões opacas

O mercado de intermediação de energia, sobretudo para empresas, nem sempre é transparente quanto às comissões pagas aos intermediários. Alguns explicam tudo com clareza; muitos outros não.

Chegam-nos com frequência relatos de empresários que receberam chamadas de venda insistentes e perceberam tarde de mais que o preço incluía um acréscimo por kWh, acordado entre o intermediário e o fornecedor, que inflacionou a fatura final.

Os sites de comparação também são intermediários

A mesma estrutura de comissões aplica-se muitas vezes aos sites de comparação: por trás de uma interface simpática, são intermediários. A informação pode constar dos termos e condições, mas, na prática, tem de perguntar quanto recebem realmente. Veja o que faz um comercializador para perceber quem é quem.

Exemplo: há intermediários que cobram o equivalente a 0,01 a 0,02 € por kWh em comissão, um valor que se traduz rapidamente em dezenas ou centenas de euros ao longo de um contrato anual.

Porque é que alguns fornecedores permitem comissões elevadas?

Se apenas intermediários pouco escrupulosos cobrassem comissões altas, o problema seria menor. Ao permitirem estes acréscimos, os fornecedores acabam por incentivar o comportamento, porque é lucro fácil para quem intermedeia. E um fornecedor que limitasse a comissão poderia perder contratos para concorrentes mais permissivos.

O que deve fazer

Não basta comparar os preços de vários fornecedores: compare também os intermediários. Um bom intermediário traz valor e justifica a comissão com um trabalho que reduz o preço total e com apoio quando algo corre mal.

  • Melhores preços: os fornecedores calculam as ofertas com base no custo da energia no mercado grossista, nos encargos de rede, nos impostos e na sua margem. Para consumidores e pequenas empresas as margens costumam ser maiores, porque há menos poder de negociação.
  • Revisão do fornecimento: um bom intermediário revê todos os aspetos, como o IVA aplicável, a potência contratada e outros encargos onde possa haver erros.
  • Apoio quando algo corre mal: num problema de faturação ou num erro do fornecedor, um intermediário competente intervém, acompanha o processo e mantém o cliente informado.

Mais transparência noutros países

A prática de comissões inflacionadas preocupou reguladores de vários países europeus, que passaram a exigir maior transparência sobre as comissões. Em Portugal, é a ERSE que vigia o setor.

Resumo: procure intermediários transparentes, compare fornecedores e intermediários, e prefira quem demonstre apoio concreto quando algo corre mal.

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